11/07/2024

11 de julho de 2024

 10 de julho de 2024


A sensação de saber-se amada é inigualável, não tem nada nesse mundo que pague!!! Principalmente quando chega em momentos difíceis, críticos, preocupantes em nossa vida. Experimentei isso hoje, e estou super feliz e grata: acordei com um áudio da minha irmã por parte de pai (tenho 6) querendo saber se estou bem, que está preocupada comigo, pois vem sonhando comigo há várias noites; isso depois de ter, ontem, me enviado uma mensagem me perguntando como estou e pedindo pra eu ligar pra ela à noite. Isso é muito especial e precioso, pela forma como entramos - ou voltamos - na vida uma da outra: apesar de sermos filhas do mesmo pai, não fomos criada por ele como nossos outros irmãos, muito menos tivemos contato uma com a outra, e isso roubou de nós a oportunidade e o privilégio de construirmos uma relação de irmãs, como muitas outras têm.

Só no carnaval desse ano tivemos a oportunidade de dar início à jornada de construção dessa relação, que foi de amor instantâneo. Nossa avó paterna faleceu há alguns anos, e por isso foi necessário fazer um inventário, pra dividir os bens conquistados e deixados por ela como herança entre os filhos dela; no entanto, como o meu pai é falecido, a parte dele deve ser dividida entre os filhos dele, que são seus herdeiros. E foi aí que uma saga começou, já que essa minha irmã, naquele momento, era a única que os meus outros irmãos não sabiam onde estava, por onde andava; e por algum motivo que desconheço, eles achavam que eu sabia. Mas eu não sabia, nunca soube; desconhecia o paradeiro dela tanto quanto todos eles.

O tal inventário foi iniciado, e uma grande batalha familiar começou. Batalha essa na qual entrei de gaiata, já que por não ter sido criada dentro da família do meu pai, não me sentia parte dela, ainda que o sangue deles corra nas minhas veias. Mesmo assim me dispus, aconselhada pela minha mãe, a tentar uma reaproximação, o restabelecimento de um relacionamento com eles; e assim eu fiz: busquei me reaproximar, e iniciei uma tentativa de restabelecer relacionamento com eles, mas ainda sem ela, que ninguém sabia onde estava. Hoje, entendo que foi um erro - até certo ponto -, e que tudo que eu deveria fazer era me ater às relações necessárias para resolver as questões práticas relacionadas ao inventário.

Isso porque, desde o começo, me senti deslocada, uma estranha no ninho: era como se, mesmo tendo o sangue deles, não fizesse parte daquela família. Família essa, aliás, cheia de "esqueletos no armário", e com uma grande inabilidade em acolher, receber e tratar os seus; porque sim, eu sou um deles, por mais que eles - e até eu - não gostem ou aceitem. Mas por lá, me pareceu que ninguém se mostrou muito interessado em me acolher, me integrar à família; e pelo que a minha mãe já havia me falado sobre eles, logo entendi que, na verdade, não era um deles, nem nunca fui.

O que percebi, é que na cabeça deles eu era apenas mais uma que estava "atrás do dinheiro da família", e não parte dela, no que estavam errados e certos: nunca quis o dinheiro deles, e justamente por isso nunca fui parte da família. Eu só queria entregar e receber amor e senso de família. Como não fui recebida, fui me afastando, até não ter mais contato algum. E essa minha irmã seguia longe de mim também, já que eu ainda não sabia onde ela estava.

Isso mudou quando, de alguma forma, ela conseguiu meu WhatsApp, me incluiu no grupo que criou para unir os irmãos - e que não deu certo - e entrou em contato comigo. A partir daí, o resgate do relacionamento começou, embora eu ainda não percebesse; até que, esse ano, ela veio a Recife entrou em contato comigo, para que nos encontrássemos. E foi como se tivéssemos vivido juntas a vida toda: a conexão foi imediata, e nos identificamos muito uma com a outra, o que não aconteceu à toa, já que temos a mesma origem e histórias de vida semelhantes.

Passamos o carnaval juntas, conversamos sobre tudo, nos divertimos juntas, e tivemos lindos e incríveis momentos entre irmãs; e trocamos amor. Planejamos coisas para fazer juntas futuramente, quando ela vier ao Brasil e estiver em Recife (ela mora na França e trabalha na Espanha), e uma linda relação teve início. Relação essa que teve sua coroação de ontem pra hoje, com as mensagens e aúdios dela, preocupada comigo. Isso me trouxe a doce e agradável sensação de ser amada, e sou muito grata a Deus por isso.

Saber-me amada por ela reforça em mim a consciência de que não sou tão sozinha como sempre pensei que fosse. E isso é muito bom!!!

10/07/2024

10 de julho de 2024

 10 de julho de 2024


Hoje estou feliz e grata!!! E também motivada, energizada, animada. Deus tem usado e colocado pessoas na minha vida e caminho, pra me mostrar que não posso desistir, nem permitir que fatores ou pessoas externos a mim me influenciem, definam meu comportamento, emoções e atitudes.

Estive sim desanimada, com medo, angustiada, e pensei em desistir de tudo, tamanha minha exaustão diante de tantas dificuldades e desafios. Eles fazem parte, e são necessários pro meu crescimento, amadurecimento e evolução. Entendo que me desenvolvo, em todas as áreas da minha vida, para ser uma pessoa e mulher melhores, uma mãe melhor. Realmente já passei por muitas coisas nos últimos 21 meses, saí viva de uma situação da qual muitas mulheres nunca conseguem sair, ou até saem mortas.

Me libertei de um relacionamento abusivo, onde fui esvaziada, anulada e destruída em todos os aspectos, por um homem narcisista e manipulador. Minha personalidade, identidade e autoestima foram esvaziadas, e saí de um casamento de 11 anos "terra destruída": emocional, psicológica, espiritual, pessoal, financeiramente e como mãe. Precisei me permitir o autocuidado, a autocura, ao mesmo tempo que me reconstruía - e a reconstrução não terminou, segue em andamento.

Respeitei meu tempo, meu ritmo de cura e recuperação. Sim, recuperação!!! Depois de 11 anos sendo minada, a libertação exigia de mim um período de recuperação, que inclui cuidar de mim, me conhecer mais e melhor, me redescobrir. Precisava saber quem eu era - até então, eu acreditava saber, mas a verdade era que eu não fazia ideia -, o que eu queria e não queria, pra mim e nos relacionamentos que eu viesse a ter, depois de recuperada. Porque sim, eu queria voltar a ter relacionamentos, não tinha desacreditado no amor, a despeito de tudo que eu tinha passado.

Só precisava, antes, fazer as pazes comigo mesma: aprender a estar sozinha,e gostar da minha própria companhia; focar em mim mesma, e nos meus interesses, desejos e projetos; maternar como fazia sentido pra mim, e não como fora imposto a mim durante tanto tempo; resgatar as relações perdidas, com familiares, amigos e companheiros de trabalho; recuperar minha carreira, tão detonada até ali. E me lancei nessa tarefa, na dedicação a mim mesma. Queria me relacionar, amar novamente, mas sabia que antes, precisava construir um relacionamento comigo mesma, resgatar o amor próprio, pois só assim conseguiria voltar a me sentir e ser feliz.

Faço terapia há 7 anos, inicialmente devido a um diagnóstico de Síndrome de Burnout com depressão e ansiedade, mas com o passar do tempo e a estabilização do quadro, a motivação inicial foi mudando, até chegar onde estou hoje. E usei isso a meu favor: mergulhei de cabeça no processo que resultaria na mulher que sou hoje, e que ainda me levará muito mais longe. Me permiti o autocuidado, o confronto comigo mesma, pois queria entender o porquê de eu ter me colocado - ainda que inconscientemente - no modelo de relação do qual havia acabado de sair.

E entendi!!! Era um padrão vindo de um tempo que eu sequer supunha que tivesse vindo: minha infância. Cresci vendo modelos de relacionamento tóxicos, permissivos,  e escassos de amor próprio, o que resultava em autodestruição. Tudo isso ficou gravado em mim - hoje sei e entendo - e no decorrer da minha vida, me fez entrar em relacionamentos que levariam ao casamento do qual saí.

Minha previsão - e plano - era de que eu passaria longos anos cuidando e restaurando meu emocional, até conseguir voltar a ter contato com homens, fosse ele de natureza casual ou mais séria (e sim , não tem qualquer problema em ter relações casuais, desde que seja por um desejo próprio, sem indução do outro). Com isso em mente, dei início ao processo, e me dediquei a ele com 1000% de comprometimento e foco; afinal, meus objetivos eram claros: entender quais padrões me levaram até o relacionamento abusivo do qual havia saído; me blindar contra eles, para conseguir identificar e não entrar mais nisso; me reencontrar comigo mesma.

Queria uma reconstrução mínima, pra ser capaz de restaurar e tocar minha vida, em todas as áreas. E tinha consciência de que isso demoraria um longo tempo. Mas, como não temos controle sobre nada em nossa vida - finalmente aprendi isso - obtive isso em muito menos tempo do que eu previ: menos de 1 ano depois de iniciar o tratamento, consegui me permitir ser tocada por um homem, sem medo de nada. E não que os traumas da antiga relação tenham desaparecido, longe disso; no entanto, consegui fazer o que é mais desafiador pra quem se liberta desse tipo de relacionamento: não transferir para os outros homens os medos que o abusador plantou dentro de mim.

Sobre meus projetos pessoais, também havia desistido deles, já que havia tentado empreender no digital, mais especificamente no Instagram, e não deu certo: confiei em pessoas que me prometeram grandes resultados financeiros e não entregaram, só me roubaram tempo e dinheiro. Fiquei traumatizada, e realmente havia decidido "voltar pra vida real", e focar no que eu precisava - e ainda preciso - conseguir: fazer dinheiro para recuperar e reorganizar a vida destruída pelo ex, e também proporcionar uma vida tranquila e confortável pra mim e pro meu filho.

Afinal, com a separação passamoa a ser, realmente, somente eu e ele. E meu menino precisa, depende e tem somente a mim, pra cuidar, educar, amar e prover todas as necessidades. Pra conseguir fazer isso, preciso de dinheiro, e saí do casamento numa situação financeira super delicada: endividada e com o meu salário líquido bem abaixo do que deve ser; havia um imenso buraco orçamentário a ser coberto. Isso sem contar a longa e desgastante luta judicial que assumi, ao decidir me separar.

Quando finalmente resolvi me separar, colocar isso em prática foi complicado e traumático, já que ao comunicar minha decisão ao ex, ele não só não aceitou, como passou um longo tempo me manipulando e ameaçando, inclusive usando meu filho pra isso. E as atitudes dele têm um nome: violência doméstica, e assim tinha que ser tratado. E tratei: fui à delegacia da mulher e abri um boletim de ocorrência contra ele, onde denunciei cada um dos abusos e violências dele, inclusive aquele mais difícil de denunciar, por tudo que implica: a sexual.

Fui violentada por ele durante os 2 anos da pandemia: ele forçava a barra pra ter o que queria, e isso incluía "estratégias" que iam da manipulação à dopagem, passando pela ameaça. Denunciei isso, o que resultou em um exame de corpo delito no IML, medida protetiva e processo criminal. Além do divórcio litigioso que automaticamente implicou, e que corre em segredo justiça, tanto pela violência doméstica quanto por envolver filho menor de idade.

Desde então, minha vida não tem sido fácil, e a luta é diária: pra mantê-lo longe de mim - mesmo com a protetiva -; pra lidar com o medo que as ameaças dele, que ainda existem, me causa; e pra cuidar, criar e sustentar minha casa e meu filho sozinha, pois apesar da pensão alimentícia - que ele só paga porque a justiça obriga e é descontado direto em folha de pagamento - o dinheiro que entra está longe de ser o suficiente pra arcar com as despesas e nos proporcionar o conforto e tranquilidade que merecemos.

Tudo isso me pressiona muito emocionalmente, e em alguns momentos desanimo; desânimo esse que mexe com a minha fé, ânimo e capacidade de seguir lutando. Estive assim por um tempo razoável, mas não agora, e não mais. Inclusive, decidi voltar pro digital, mas num lugar diferente, pois Deus colocou no meu caminho uma pessoa que me devolveu a esperança de que é possível.

E por tudo isso, estou grata. 


09 de junho de 2026

 Não mudei e mudei. À primeira vista, pode parecer incoerente e sem sentido, mas quando se desenvolve o pensamento... logo se percebe que si...