10 de julho de 2024
A sensação de saber-se amada é inigualável, não tem nada nesse mundo que pague!!! Principalmente quando chega em momentos difíceis, críticos, preocupantes em nossa vida. Experimentei isso hoje, e estou super feliz e grata: acordei com um áudio da minha irmã por parte de pai (tenho 6) querendo saber se estou bem, que está preocupada comigo, pois vem sonhando comigo há várias noites; isso depois de ter, ontem, me enviado uma mensagem me perguntando como estou e pedindo pra eu ligar pra ela à noite. Isso é muito especial e precioso, pela forma como entramos - ou voltamos - na vida uma da outra: apesar de sermos filhas do mesmo pai, não fomos criada por ele como nossos outros irmãos, muito menos tivemos contato uma com a outra, e isso roubou de nós a oportunidade e o privilégio de construirmos uma relação de irmãs, como muitas outras têm.
Só no carnaval desse ano tivemos a oportunidade de dar início à jornada de construção dessa relação, que foi de amor instantâneo. Nossa avó paterna faleceu há alguns anos, e por isso foi necessário fazer um inventário, pra dividir os bens conquistados e deixados por ela como herança entre os filhos dela; no entanto, como o meu pai é falecido, a parte dele deve ser dividida entre os filhos dele, que são seus herdeiros. E foi aí que uma saga começou, já que essa minha irmã, naquele momento, era a única que os meus outros irmãos não sabiam onde estava, por onde andava; e por algum motivo que desconheço, eles achavam que eu sabia. Mas eu não sabia, nunca soube; desconhecia o paradeiro dela tanto quanto todos eles.
O tal inventário foi iniciado, e uma grande batalha familiar começou. Batalha essa na qual entrei de gaiata, já que por não ter sido criada dentro da família do meu pai, não me sentia parte dela, ainda que o sangue deles corra nas minhas veias. Mesmo assim me dispus, aconselhada pela minha mãe, a tentar uma reaproximação, o restabelecimento de um relacionamento com eles; e assim eu fiz: busquei me reaproximar, e iniciei uma tentativa de restabelecer relacionamento com eles, mas ainda sem ela, que ninguém sabia onde estava. Hoje, entendo que foi um erro - até certo ponto -, e que tudo que eu deveria fazer era me ater às relações necessárias para resolver as questões práticas relacionadas ao inventário.
Isso porque, desde o começo, me senti deslocada, uma estranha no ninho: era como se, mesmo tendo o sangue deles, não fizesse parte daquela família. Família essa, aliás, cheia de "esqueletos no armário", e com uma grande inabilidade em acolher, receber e tratar os seus; porque sim, eu sou um deles, por mais que eles - e até eu - não gostem ou aceitem. Mas por lá, me pareceu que ninguém se mostrou muito interessado em me acolher, me integrar à família; e pelo que a minha mãe já havia me falado sobre eles, logo entendi que, na verdade, não era um deles, nem nunca fui.
O que percebi, é que na cabeça deles eu era apenas mais uma que estava "atrás do dinheiro da família", e não parte dela, no que estavam errados e certos: nunca quis o dinheiro deles, e justamente por isso nunca fui parte da família. Eu só queria entregar e receber amor e senso de família. Como não fui recebida, fui me afastando, até não ter mais contato algum. E essa minha irmã seguia longe de mim também, já que eu ainda não sabia onde ela estava.
Isso mudou quando, de alguma forma, ela conseguiu meu WhatsApp, me incluiu no grupo que criou para unir os irmãos - e que não deu certo - e entrou em contato comigo. A partir daí, o resgate do relacionamento começou, embora eu ainda não percebesse; até que, esse ano, ela veio a Recife entrou em contato comigo, para que nos encontrássemos. E foi como se tivéssemos vivido juntas a vida toda: a conexão foi imediata, e nos identificamos muito uma com a outra, o que não aconteceu à toa, já que temos a mesma origem e histórias de vida semelhantes.
Passamos o carnaval juntas, conversamos sobre tudo, nos divertimos juntas, e tivemos lindos e incríveis momentos entre irmãs; e trocamos amor. Planejamos coisas para fazer juntas futuramente, quando ela vier ao Brasil e estiver em Recife (ela mora na França e trabalha na Espanha), e uma linda relação teve início. Relação essa que teve sua coroação de ontem pra hoje, com as mensagens e aúdios dela, preocupada comigo. Isso me trouxe a doce e agradável sensação de ser amada, e sou muito grata a Deus por isso.
Saber-me amada por ela reforça em mim a consciência de que não sou tão sozinha como sempre pensei que fosse. E isso é muito bom!!!