08 de agosto de 2024
A vida é feita de decisões. E nos últimos 2 anos, venho tomando algumas muito importantes, que mudaram a minha vida pra muito melhor. No entanto, acredito que nenhuma delas foi mais importante do que aquela que tomei há algumas semanas, e que verbalizei na terapia: não vou me permitir mais gastar energia e emoções com o narcisista do qual me libertei, há quase 2 anos.
Até esse momento, eu vinha num movimento que só fazia me atrasar, me desgastar emocionalmente: sempre que eu precisava lidar com narcisista abusador do qual me libertei - e que também é pai do meu filho -, para resolver questões práticas relacionadas ao filho que temos juntos, era um dia no qual eu não conseguia fazer mais nada, tamanha a energia que eu despendia nesse processo. E não era apenas energia mental, mas também, e principalmente, emocional. Eu sempre ficava cansada física e mentalmente, e as crises de depressão e ansiedade sempre e invariavelmente aconteciam.
Tinha a percepção clara disso, e queria mudar; mas estava tentando fazer isso do jeito errado: queria encontrar estratégias pra me blindar emocionalmente, pra que esse desgaste não acontecesse. Embora isso fosse louvável, não era a melhor opção; e eu, simplesmente, não conseguia perceber, e insistia no movimento. Buscava formas de driblar o desgaste, pra não ficar rão cansada, e não conseguia enxergar que o caminho era tomar uma decisão cirúrgica, que me devolveria o que ainda faltava de controle sobre mim mesma.
Então, mesmo tendo me livrado dele fisicamente, emocionalmente eu ainda não estava totalmente livre, já que ele ainda conseguia abusar de mim psicologicamente, com cada atitude, comportamento e estratégia de pressão e coação que ele sempre usou, principalmente a mais clássica: meu filho. Foi assim durante quase 2 anos, até a chave virar e eu entender que o mal-estar pelo qual eu passava só estava acontecendo PORQUE EU ESTAVA PERMITINDO. SIM, ERA EU QUEM ESTAVA PERMITINDO que ele abusasse psicologicamente de mim, a cada vez que reagia, chorava e/ou me entregava ao cansaço físico e ao desgaste energético e emocional, que desencadeava as crises de depressão e ansiedade.
E finalmente, tomei a decisão: TIREI DELE O PODER QUE EU MESMA ESTAVA CONCEDENDO, com cada reação, grito, lágrima e perda de equilíbrio, bem como ao cansaço físico e emocional aos quais me entregava diante de cada ato dele. No entanto, retirado o poder, ainda restava uma questão: como, ou onde, eu descarregaria isso? A resposta estava diante de mim: escrevendo, colocando pra fora em palavras o que e como me sinto. E é isso que estou fazendo aqui, nesse diário virtual particular, no sentido de que não o divulgo pra ninguém, nem uso estratégias para que outras pessoas saibam dele.
Decisão tomada, aqui estou eu: LIVRE, DISPOSTA, FELIZ, REAL E TOTALMENTE DISPONÍVEL PRA CUIDAR DA MINHA VIDA E ME DEDICAR A TUDO AQUILO QUE PEÇO A DEUS E QUERO CONSEGUIR. Voltei a escrever, tanto pra mim quanto pro mundo; retomei a produção de conteúdo que vinha fazendo como projeto pessoal de médio e longo prazos; e estou realmente me dedicando ao objetivo de ser aprovada em um concurso público que aumente minha renda (esse sim, o grande objetivo que tenho, ligado à recuperação da minha autonomia financeira, pois embora seja independente, não sou autônoma, e são coisas diferentes).
Também vou estudar mais sobre relacionamento abusivo e transtornos de personalidade, mais especificamente narcisismo e psicopatia, tanto pra entender minha própria jornada, quanto pra cumprir o que sinto como sendo meu propósito: ajudar outras mulheres que, como eu, estiveram em relacionamentos abusivos, a superar; e àquelas que estão, a sair e reconstruir a vida. Também quero ajudar mães solo como eu, que trabalham fora e dentro de casa e precisam lidar com ex abusivo que também é pai dos seus filhos.
Estou focada, e animada pra seguir meu caminho em nova fase: dedicada a mim, aos meus projetos e desejos.
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