22/08/2024

20/08/2024

 20 de agosto de 2024


Uma simples ida ao centro da cidade, pra resolver um problema, e uma avalanche de sentimentos e reflexões foram despertadas. Foi o que aconteceu ontem, quando fui ao centro do município onde moro, retirar uma encomenda na agência dos Correios. E falo sem exagero algum.

Retomei meus estudos para concursos públicos praticamente tão logo me separei, pois tenho o objetivo de aumentar minha renda, tanto pra recuperar minha automomia financeira - o grande e verdadeiro objetivo por trás disso -, quanto pra melhorar minha renda e assim poder proporcionar conforto pra mim e pro meu filho, bem como uma vida tranquila e todos os prazeres e oportunidades pra nós. Sobre a autonomia, tem a ver com a situação que saí do casamento - que foi uma relação abusiva: endividada e praticamente falida, além de querer não precisar da pensão alimentícia que o alecrim dourado só paga porque a justiça o obriga; quanto à melhoria da renda, que trará o conforto, a tranquilidade, o lazer e os prazeres que eu e meu filho merecemos... é algo emocional, que também aquece o coração.

Nesse momento, estou estudando para o Concurso TSE Unificado, e comprei material de estudo pra ele, via internet. Foram feitas tentativas de entrega na minha casa, e como não tiveram sucesso, foi enviado para os Correios do município onde moro, e precisei ir buscar. E é aí que a tal "avalanche de sentimentos e reflexões" entram. Até 2 anos atrás, eu não conseguia fazer isso, já que o então meu marido, sob o pretexto de "cuidar de mim" - hoje sei e entendo que fazia parte do processo de abuso -, não me deixava ir sozinha a nenhum lugar. Como já fazia muito tempo que eu estava inserida nesse contexto, já tinha desaprendido a andar e me virar sozinha nos lugares.

Então, quando me vi andando e me virando sozinha em pleno centro da cidade... senti uma felicidade imensa, uma sensação de liberdade e autonomia - nesse quesito - que há muito não experimentava. E me peguei pensando que, há não muito tempo atrás, era inconcebível pra mim fazer o que eu estava fazendo: indo ao centro da cidade resolver meus próprios problemas, e me movimentando com autonomia, segurança e autoconfiança.

Pode até parecer algo pequeno, bobo, sem valor ou importância; afinal, todos os dias as pessoas andam, se movimentam e resolvem problemas no centro das cidades. Mas quando se esteve dentro de um relacionamento, no qual NADA era permitido ou podia sequer ser pensado, e se conseguiu sair desse contexto VIVA - quando muitas sequer conseguem sair, ou saem sem vida -, estar cuidando da própria vida, resolvendo os próprios problemas, indo e vindo autônoma e livremente... é um super motivo de comemoração, e também de reflexão.

Hoje, depois de 2 anos livre daquele que, ao invés de alguém em quem eu posso confiar, foi um abusador que me destruiu, minou e esvaziou de todas as formas e em todas as áreas da minha vida, cada pedaço dela que ganho de volta, ou reforço, me faz sentir feliz, e também pensar no que posso fazer ou seguir fazendo tanto pra manter livre, quanto pra não me deixar aprisionar novamente. Tenho uma vida infinitamente mais feliz e tranquila, mesmo ainda não estando totalmente reorganizada - a cada dia me aproximo mais disso -, e meu desejo é poder, de alguma forma, ajudar outras mulheres que estejam nessa situação, ou que como eu já estiveram, a saírem, buscarem a cura e terem uma vida feliz e cada vez mais plena, como a minha. Porque SIM, É POSSÍVEL!!!

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